sábado, 11 de setembro de 2010

Reunião mensal com autógrafo de Nilso Dassi no seu livro sobre Belluno

Reunião em 08/2010 com Nilso autografando livros para os colegas acadêmicos, que estavam presentes  na reunão.

Nilso entregando livro para Presidente Maria Lurdete e abaixo para acadêmica Elaine

ARTIGO
                                                                                  
O RIO ALBINA NA FORMAÇÃO DE NOVA BELLUNO

É conhecido, na história mundial, o império de antigas civilizações que floresceram as margens úmidas e férteis de rios: os egípcios, às margens do Nilo, e os povos da Mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates. Tal fato só demonstra o quão importante é a água e principalmente, os rios para a humanidade. Nova Belluno, no final do século XIX, parte integrante da Colônia de Nova Veneza, foi projetada e teve sua formação ao lado de vários córregos e rios que desembocam no rio Mãe Luzia, maior afluente do rio Araranguá.
Um rio importante para a cidade e região seria o rio Sangão[1], que possui uma de suas nascentes nas terras de João Lazzaris Neto e, logo em seguida, vai morrendo quando recebe em seu leito a contaminação do carvão nas localidades de Rio Ex-Patrimônio e São Geraldo, tornando-se um dos rios mais poluídos do Brasil quando se encontra com as águas do rio Criciúma, indo desaguar no rio Mãe Luzia.
O rio Albina, com a força das águas, acolheu em suas margens muitos pequenos negócios, como atafonas, olarias, ferrarias, serrarias, descascadores de arroz e engenhos de farinha de mandioca, notadamente no período anterior ao processo de mineração praticado em Nova Belluno com a complacência das lideranças políticas locais ofuscadas pela ideologia do carvão.
Conforme depoimento de Ancelino Feltrin[2] (filho de Matteus Feltrin), o primeiro descascador de arroz de Nova Belluno foi construído por Antonio Pascoali no início do século XX e sua localização ficaria, hoje, entre o Colégio Dom Orione e a Estrada de Ferro. Vendido em 1921 aos irmãos Matteus e Angelo Feltrin em virtude da redução do volume de água do rio Albina, sendo o mesmo instalado pelos irmãos Feltrin Furighela[3] às margens do rio Sifulim.[4]
O italiano José Frassetto “Bepe Canória”, no final do século XIX, instalou uma ferraria ao lado do rio Albina, seria hoje nas proximidades do Colégio Dom Orione, deixando seu legado aos filhos Antonio e Modesto, que permaneceram lá até o final da década de 1950. Com a aposentadoria de Antonio Frassetto, seu irmão Modesto transportou e instalou a ferraria em sua casa, utilizando daí em diante energia elétrica.[5]
João Patel foi proprietário de uma atafona e uma olaria ao lado esquerdo do rio Albina[6], com suas atividades iniciadas no começo do século XX e vendidas em 1939[7] a Guilherme Adamante, que imediatamente arrendou a olaria a Manoel Maurício da Silva (muito conhecido em Nova Belluno como Velho Maurício). Com a necessidade de minerar carvão na área onde se encontravam as empresas, na década de 1940, Adamante vendeu as terras a João Cesa. A atafona montada por Patel, hoje propriedade de Raimundo Possenti (Mundinho), ainda está em operação na Rua Jorge Lacerda, 380 (fundos), no centro de Siderópolis, produzindo uma farinha de milho de ótima qualidade, atestada pela senhora Noêmia Rossa Dassi.[8]
Os irmãos Matteus e Angelo Feltrin possuíam, desde 1918, um respeitável parque fabril – serraria, ferraria, descascador de arroz e engelho de farinha de mandioca - ao lado do rio Sifulim[9] distante aproximadamente mil metros da Igrejinha de Sant’Ana. Para obtenção de água com força suficiente para girar as máquinas, os Feltrin construíram no leito do rio três arcos deitados com pedras devidamente cortadas, que possibilitavam a elevação do leito do rio e, consequentemente, o desvio lateral da água por um canal até suas empresas. As atividades dos Feltrin Furighela encerraram-se em 1949 por “exigência” da Companhia Siderúrgica Nacional. Hoje, ainda é possível observar partes de um arco que se encontra a aproximadamente cem metros ao sul da ponte estreita da Rodovia Padre Herval Fontanella, na localidade de Rio Albina. Na mesma comunidade, bem próximo da Igrejinha de Sant’Ana, era possível observar uma atafona, em pleno funcionamento, de propriedade do imigrante italiano Arcângelo Patel.
Algumas versões quanto à origem do nome Albina para o rio que corta o centro da cidade de Nova Belluno (Siderópolis): na primeira variante é uma homenagem a Albina Pescador Cesa, esposa de João Cesa, que residia ao lado do rio. Tal possibilidade provém de diversos relatos de pessoas que pescavam no rio, que fazia extrema com o terreno de Albina e, por ser um local muito piscoso, todos falavam do rio da Albina, ficando o rio conhecido, portanto, como rio Albina. No entanto, essa versão não é confirmada por Jandira Cesa Rovaris, filha de Albina, desconhecendo tal homenagem a sua progenitora. Lembra Jandira que era impossível pescar num rio muito estreito e com correnteza, no entanto, se essa versão pudesse ser confirmada, a família ficaria muito lisonjeada.
Na outra versão, relatos de alguns moradores da localidade de Rio Albina dão conta de que, em alguns pontos do leito do rio, existiam pequenas quedas d’água que propiciavam o surgimento de espessa camada de espuma branca “l’alba” ou espuma albina, o que nos remete a um rio de espuma branca ou ao rio que conhecemos hoje com nome de rio Albina. Hilário Olivo[10], morador na localidade de Santa Luzia, lembra muito bem das fartas pescarias realizadas no rio e que, no seu tempo de menino, o rio Albina era conhecido pelo nome de rio Belluno.
Hoje, o rio Albina corre escondido e canalizado pelo centro da cidade, completamente poluído e morto. “E como a colônia humana tem crescimento ilimitado, ela chega, um dia, a saturar o rio de imundícies”.[11]
Um rio é um ser vivo, um ser dotado de energia, movimento, de transformação. Um rio poluído é um rio morto.[12]
Todas as indústrias desapareceram com a morte do rio Albina.

João Lazzaris Neto e Nilso Dassi
Set/2010.
Nascidos em Nova Belluno



[1] O rio Sangão possui uma de suas nascentes potáveis na localidade de Santa Luzia – Nova Belluno/SC, nas terras de João Lazzaris Neto.
[2] Entrevista realizada em 10/9/2010 com Ancelino Feltrin, nascido em Rio Sifulim em 13/3/1944. Criciúma, SC.
[3] Os Feltrin do Rio Sifulim eram conhecidos pelo cognome de Furighela.
[4] No início da colonização de Nova Belluno, a localidade de Rio Albina e o rio de mesmo nome, após a junção com o rio Fiorita, eram conhecidos pelo nome de Sifulim.
[5] Entrevista realizada em 15/9/2010 com José Frassetto (Bepe Frassetto).
[6] Local onde hoje está instalada a Oficina Mecânica Sangaletti.
[7] Entrevistas realizadas com Hilário Olivo em 15/9/2010 e João Osni Patel, neto de João Patel, em 13/9/2010.
[8] Entrevista realizada em 15/7/2010 com Noêmia Rossa Dassi, nascida em Rio Albina em 2/7/1929. Noêmia acrescenta: “para cozinhar uma bela polenta, é muito importante utilizar a atafona do “Mundinho” com o expresso pedido para que o milho seja moído bem fino”.
[9] Entrevista realizada com Mercedes Feltrin Fabris, nascida em Rio Albina em 1/11/1925. Mercedes foi professora na Escola de Rio Albina em 1950.
[10] Entrevista realizada em 15/9/2010 com Hilário Olivo, nascido em Nova Belluno em 2/12/1930.
[11] BRANCO, Samuel Murgel. Poluição: a morte de nossos rios. 2 ed. São Paulo: ASCETESB, 1983. p. 49.

  [12] Ibid. p. 47.

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Acadêmicas Lurdete, Carmen, Rosa e Sissa Moroso